Quando tudo eram ossos,

Quando tudo eram cinzas,

Quando tudo eram dor e rancor,

Ouvi você cantando para mim.

Por um ano e um dia

O caldeirão foi vigiado.

E em momento nenhum

O movimento da espiral foi parado.

Minhas sombras misturaram-se com as suas

Dentro da cabana,

Nos tornamos quase uma só

Em menos de uma semana.

“Para nascer, é preciso morrer”,

Você me disse.

“Liberte a criatura que vive dentro de você”,

Suas mãos tocaram as minhas.

“Renascer é doloroso”,

Você falou com chiste.

“Mas o resultado será valoroso”,

Secou uma lágrima minha.

Na minha raiva me rebelei,

E na minha alegria rejubilei,

Não importa de onde vim,

Mas para onde irei.

Senhora do Caldeirão,

Senhora das Mil Formas,

Molda meu coração,

E sempre me ponha à prova.

Sou sua filha, isso ninguém pode negar,

Sou sua centelha que ninguém pode apagar.

Senhora do Caldeirão,

Senhora da Inspiração,

Grata sempre serei pelo inverno que trouxe aqui,

Assim como agradeço pelas bênçãos chegadas a mim.

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