Como falei uns dias atrás, eu sei que sumi. Mas não pedirei desculpas, sabe por quê? Porque eu fiquei doente.

Desde que eu era uma adolescente, tinha muitos altos e baixos em vários aspectos. Meu humor, minha autoconfiança, autoestima e o caramba a quatro. Os mais velhos diziam que isso era fase e que ia passar. Eu quis acreditar neles, mesmo tendo crises horríveis diante de decepções sentimentais.

O negócio é que enrolei tanto, empurrei tanto as coisas com a barriga que puft! entrei em depressão.

A primeira vez eu tinha acabado um relacionamento de m*rda e meu ex não sabia lidar com isso. Nem eu sabia. Até passou a ideia de suicídio na minha cabeça. Graças aos deuses que não deu certo.

Passaram-se os anos, até que chegamos aqui em 2016. Perdi meu emprego na livraria por causa da crise econômica, mas nem me abalei por isso. Tinha desenvolvido fibromialgia no trabalho e trabalhar 6×1 não é de deus nenhum. Fui tocando minha vidinha da melhor forma possível, até eu conhecer alguém legal, ficar morta de medo de me machucar como aconteceu no passado e XABLAU. Vários mal entendidos.

Comecei a ter crises de ansiedade f*didas. E depressivas. Meu corpo não aguentou e capotei na cama, na inércia do sofrimento silencioso. Não queria comer, nem queria mais respirar. Comecei a me flagelar. Não são coisas que me orgulho, porém não deixam de ter acontecido.

Engoli meu orgulho e lá fui eu para a terapia da estaca zero. Meu relacionamento com meu pai tava uma droga há anos e eu achava que minhas frustrações eram causadas por ele, mas claro que eu estava enganada. Só não queria ver. E necessitei admitir que eu estava errada.

Apenas conversa não resolveu nada, então tive que passar no psiquiatra mês passado, pois virava, mexia e outra crise de ansiedade no meio da rotina para acabar com o humor/romance/inspiração do dia. Atualmente estou tomando Fluoxetina e Amitriptilina. Após meses, desde 2015, sem dormir uma noite inteira, finalmente consigo descansar e as dores da fibro sumiram.

O que quero dizer com esse texto, além de explicar porque o blog ficou jogado às traças, é que sim, depressão é comum. Ansiedade também. A sociedade está frenética e todos nós recebemos exigências absurdas. Pena que só fui dar importância para coaching e cia quando eu estava no fundo do poço.

Pensar positivo não é uma tarefa fácil, mas é um belo exercício. E medicamento… Sabe, eu tinha preconceito sim. Na verdade, tinha medo de isso me tirar do corpo e eu ficar um peso molenga. A única coisa chata é que meu labirinto — não o filme, aquele sistema de equilíbrio dentro dos ouvidos! — está frágil: qualquer sacolejo ligeiro e eu quase fico de cara no chão.

O interessantes nesse quatro meses de psicoterapia (se não me falha a memória) é que aprendi muita coisa. Nem tanto com os outros, apesar de isso ser valioso, mas comigo mesma. Passei a me observar melhor, a administrar meus pensamentos, ser mais gentil comigo mesma.

Nesse meio tempo, me resolvi romanticamente falando (meu namorado está do meu lado desde a primeira crise), me afastei de pessoas que me faziam mal (e os pensamentos que envolviam elas), parei de me arranhar, estou convivendo melhor com meu pai.

A vida é uma coisa agitada e se eu encarnei nessa vida foi por algum motivo. Ou não foi por nada específico, mas eu quero ser melhor a cada dia que passa. O psiquiatra disse que tomarei medicação por um ano, depois veremos como ficarei.

E eu creio que minha cura está progredindo. Aos poucos tenho me sentido mais dona de mim mesma. Fazia muito tempo que eu não acreditava no que queria ou sonhava.

Então após esse texto tão prolixo, queria dizer que se você está passando por algum momento difícil na sua vida, não é vergonhoso pedir ajuda. No meu caminho, recebi apoio do mundo espiritual através de pessoas maravilhosas e deuses que sempre serei grata (Manannan, Brighid, Morrighan e Lugh /|\). Mas como o espírito do Carvalho diz aos apressados, seja resistente, mas não seja inflexível. Um carvalho leva décadas para tornar-se a frondosa árvore que conhecemos. Sem contar que pedir ajuda para médicos e terapeutas também não é nenhum desonra. Somos humanos, em constante aprendizado.

Metaforicamente somos as bolotas de carvalho. Quando for o tempo certo, nossas raízes se afundarão naquilo que os ancestrais deixaram, cresceremos no nosso mundo e tocaremos a sublime energia universal sem muito esforço.

Eu acredito nisso.

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