E a canção vai tocando

cada vez mais devagar.

A noite vem chegando,

mas a Roda não vai parar.

A colheita deixada

para a terra se recolheu,

e o que não floriu

por fim pereceu.

Oh, Dagda, Pai de Todos,

ouça-nos cantar.

Cuide dos nossos,

não deixe o fogo apagar.

Os espíritos antepassados

hoje iremos honrar.

Oh, Dagda, Pai de Todos,

faça a luz voltar.

 

Ao som da minha harpa

o campo adormece.

Os mistérios do Outro Lado,

a vocês hoje aparecem.

Os reinos das brumas e da terra

se veem outra vez.

Os mistérios do Outro Lado

vêm até vocês.

Não temam a morte ou a escuridão,

a Roda gira

e ainda pulsa o coração.

Quando a Hora passar,

a luz vai voltar,

e o som da harpa

os campos despertará.

 

E continuamos pelo caminho,

vendo o gelo e os espinhos.

Nada acontece em vão,

até nas sombras há lição.

Oh, Morrighan, Grande Rainha,

ouça-nos pedir.

Senhora da Soberania,

não nos deixe sucumbir.

Apenas quando for a hora,

confiamos em ti.

Oh, Corvo de Batalha,

és bem-vinda aqui.

 

Eu sempre os guio pela mão,

além das sombras e temores.

Entre aqui e o Outro Lado

estou a governar.

E hoje os mistérios de Lá

vêm aqui se revelar.

Quando a Hora mais escura passar

e o campo reviver,

lembrem-se que nos momentos de fraqueza

ao meu lado não têm o que temer.

 

Então cantamos em união,

várias vozes, uma canção.

Ancestrais e Tuatha de Dana,

os aceitamos de coração.

 

(escrito em 28 de abril de 2016)

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