Sob estes gestos de bárbara, te juro que sou uma barda. Quando eu nasci, as estrelas me pregaram uma peça: me deram o dom da palavra disfarçado com a suposta grosseria. Por um lado, tive dupla sorte: apenas os fortes e desinteressados em algo em troca permanecem ao meu lado e recebem parte de minha arte como presente.

Minha mente é tão inquieta quanto meu corpo. Quando eu estiver distante, perdoe-me; fui engolida por minhas próprias ondas. Mas eu sempre volto. Não dá para viver no mundo espiritual com um corpo físico.

Sim, sei que sou temperamental e minhas ações são repentinas como um raio. Falo palavrão, penso em obscenidade e mordo quando dá vontade. Entretanto eu não minto quando digo que estou com saudades ou que quero ficar ao lado de alguém.

As pessoas têm medo de gente intensa como eu. Antes eu pedia desculpas por isso, mas agora que se foda. Quem quiser minha afeição que me aceite como sou e como serei, sem tirar nem pôr.

(Escrito em 16 de fevereiro de 2016)

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