Olá, humanos, sou eu de novo. Como estão? Hoje teremos aqui no blog um texto deveras significativo para mim: eu o escrevi na véspera de meu vigésimo-primeiro aniversário, como o título insinua. Eu sei que há pessoas que odeiam comemorar o próprio aniversário (na verdade, eu fico um pouco deprê de vez em quando, admito), mas acho que não devemos desanimar. Seja mais um ano ou menos, não deixa de significar que adquirimos mais experiências nessa vida, não?

Obrigada por acompanharem minhas postagens. Espero que gostem. ❤

(meu aniversário é dia 20/02, só falando haha)

            Daqui a pouco serão vinte e um. Vinte e um verões, vinte e um bolos (metafóricos ou não), vinte e um anos.

Sem contar as coleções de hematomas e cicatrizes, uma para cada doze meses até aqui.

Dizem que, quando você chega aos vinte, a Morte instala um relógio em contagem regressiva na sua alma. Ele faz com que você se sinta agoniado e corra atrás de seus objetivos até seus pulmões sangrarem. Se isso for verdade — que nascemos apenas uma vez —, acho que serei imortal, afinal sinto que comecei a viver há pouco tempo.

Embora a hipótese de minha alma ser muito velha não deixa de ser plausível. Pode ser por isso que a Dona Morte me ignorou; ela sabe que eu não correrei desesperada com medo do Acaso. Não mais.

Quando olho para trás, ainda vejo a sombra da criança selvagem acuada pelo medo e pela vergonha. Apesar das mãos e pés bem acorrentados, ela tem o olhar de uma criatura inquieta, que pode explodir em existência a qualquer instante.

Para a felicidade dela — e minha —, nós explodimos. Várias e várias vezes. O melhor é que isso é apenas o começo.

Eu mentiria se dissesse que me sinto com total segurança sobre mim mesma. Ninguém saberá quem é meu Quem Sou tanto quanto eu. Existem fragmentos diversos sob essa pele chamuscada, lesionada e marcada. Nem todos exames médicos do Mundo serão úteis para desvendar os enigmas que carrego.

Porém eu mudei e para melhor — modéstia à parte. Daqui a vinte anos, rirei dessa minha aparente autossuficiência. Mas não deixa de ser verdade: se não fossem as amizades tóxicas, os ossos quebrados, desavenças familiares, anos no hospital, coração partido, empregos perdidos, tentativa de suicídio…

Eu não teria chegado até aqui. E não mudaria nenhum pingo de i. Ainda mais porque eu viajei, li, chorei, morri de rir, perdi discussões, aprendi coisas novas, fiz cartões de Dia das Mães cheios de glitter, rabisquei, desenhei, beijei, me fodi, mandei se fuderem, cheguei em casa às duas, quebrei batons da mamãe, trouxe gatos de rua para casa…

Se me pedirem para resetar minha vida, eu faria tudo de novo.

Antes eu pedia desculpas por ser dessa forma — intensa, ácida, hiperativa, surreal — mas… Bem, vocês já devem imaginar o resto da frase. Eu não mudarei para agradar a ninguém.

Que venham mais anos para haverem mais bolos, mais experiências e mais oportunidades para fazer a diferença.

Parabéns para quem ficou até aqui: a sorte é recíproca.

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