Não precisa me adorar como se eu fosse uma deusa de religião monoteísta. Eu não quero altares, sacrifícios ou penitências. Não quero que você me tema ou me ame por pura obrigação.

O amor é tão doce quanto a fusão dos mais finos néctares. Sua essência é leve e flui livre como um rio. Até o ser humano mais perverso experimentou um pouco dele, um dia. Talvez fora dentro do útero, e obviamente ele não se lembra.

Se for para me amar, meu querido, me ame na natureza. Lá é onde tudo nasce, cresce, fenece e repete seu ciclo. Lá não há jogos ou chantagens emocionais; o amor é selvagem como apenas ele é. Você não precisa construir um templo ou vestir sua melhor roupa. Apenas fique sob as árvores, despido de tudo aquilo que você não é.

Os humanos sem visão limitam o infinito em verbos corriqueiros. Mas esse sentimento, que podemos compartilhar com tudo e todos, não tem uma definição à altura. Ele irrompe a escuridão como os raios, varre as folhas do chão como a ventania, é a mesma água que nutre e pode matar alguém afogado — por isso que com ele não se brinca. Diferente das paixões, ele é eterno. A culpa não é dele quando o ego é ferido.

Se for para me amar, que sejamos como a dríade e o fauno. Eu não quero arrebatamento; te quero da forma que você é. Se for para ficar, que fique; caso contrário, que vá sem peso nenhum na alma. Afinal é assim que o Ciclo segue.

(Escrito em 14 de fevereiro de 2016)

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