Sim, você queima. E seu calor é tão radiante que ultrapassa todas as minhas barreiras mentais, deixando meus sentidos em êxtase. Anos de construção de muros, fortalezas e dosséis não foram o suficiente. Você rompe os espaços invisíveis entre os átomos, escorrega entre meus dedos como areia, encharca o solo de concreto.

O encontro de dois sóis não deve resultar em boa coisa, afinal eu também brilho o bastante para dissipar a noite. Mas podemos fingir que não sabemos disso e nos colidirmos. Duas estrelas (de)cadentes se embatendo e unindo-se, formando uma nova figura celeste e marcando o tempo indeterminado no espaço.

(Escrito em 29 de março de 2016)

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