Eu sabia que sentia antes, mas sempre estive tão atarefada e tão amedrontada que nunca reparei. Era apenas uma criança e, nas curvas sinuosas da vida, me encaminharam por uma trilha aparentemente certa. Isso é, até me embrenhar em matagais perigosos e rasgar minha pele em espinheiros secos.

Só queria compreender o mundo. Não o físico, mas o que está além de nossos olhos e sentidos carnais. Sempre me reprimiram, sempre senti medo, mas agora eu entendo. Agora sinto: finalmente descobri que estive cega esse tempo todo.

Eu quero sentir a terra, quero ouvir o que o vento tem a cantarolar. Quero me equilibrar com a natureza, mesmo que esse elo esteja tão desgastado que talvez já esteja quase totalmente perdido.

Este corpo é apenas uma casca, meu templo dessa vida. Como templo, devo cuidar de suas paredes e de seu interior. Também tenho todo o direito sobre ele e isso envolve quem pode aproximar-se dele ou adentrá-lo. Não devo ter vergonha dele, afinal foi a forma que me fora designada para cumprir minha missão agora.

Lá no fundo, talvez me sinta ainda um pouco insegura sobre o futuro e sobre a morte. Há fantasmas do passado que ainda rondam minha mente quando abaixo a guarda. Porém, a cada dia, um pouco mais minha coragem cresce. Não quero mais viver como uma criaturinha arredia e assustada, quero confiar plenamente no plano da Mãe e do Grande Espírito. Sei que Ambos querem o bem de seus filhos e tudo aquilo que colhermos aqui é apenas resultado da plantação de nossas ações.

Quero plantar coisas boas, não pensando exclusivamente em mim, mas em tudo que me cerca. Desde a menor forma de vida até o maior habitat. Quero crescer espiritualmente, quero trilhar o caminho correto. Sozinha sei que não sou capaz, mas com o apoio das Forças sei que posso tudo. Não quero mais chorar por coisas mortas, quero ver a vida com alegria, mesmo que a dificuldade e as energias negativas tentem puxar minha fé para baixo.

Quero simplesmente viver e cumprir minha missão, mesmo que minha mente agora não se recorde de nada. Pelo menos, não a física. Provavelmente, minha alma sabe e precisarei me esforçar para calar a voz da minha mente e possa ouvi-la.

(Escrito em 9 de janeiro de 2015)

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