Não, nada é fácil. Tudo tem um preço. Na felicidade ou na tristeza, acompanhado ou solitário, norteado ou perdido. Tudo custa algo, gera uma consequência, exige certo esforço. Até mesmo não fazer nada é trabalhoso: você precisa ficar quieto quase sem respirar, praticamente.

Ele não foi a primeira pessoa a ir embora, mas é a mais recente pela qual sinto essa tempestade de emoções em meu peito. Esse é o problema: ser minha memória mais recente, ser a dor mais pulsante. Se fosse qualquer um, se fosse quando eu era jovenzinha e ingênua, poderia olhar para trás e sorrir um pouco conformada — já foi, eu não sabia o que estava fazendo, poderia dizer.

Mas não foi isso o que aconteceu.

Sei muito bem que parte dessa merda foi culpa minha, porém há uma voz de consciência forte quase urrando que não foi tudo. Ora, isso é apenas uma reafirmação para que eu não tome o peso do mundo sobre minhas costas outra vez.

Mas, Mãe, por que tão difícil? Por que isso me enlouquece tanto, me faz trincar a cada sorriso aparentemente sincero e gentil? Às vezes, definitivamente queria quebrar em milhares de pedaços para finalmente me sentir livre. Sei que o solstício de verão se foi e o calendário do mundo físico mudou, mas por que esse sofrimento não muda ainda?

Imagino que devo aprender a ser paciente, afinal tento encontrar o mantra correto para isso desde que me compreendo como pessoa agitada. Meu corpo pode ser lento, mas minha alma é impetuosa como uma tempestade de verão.

(escrito em 8 de janeiro de 2015)

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